Investigação de Acidente de Trabalho: Como Descobrir a Causa Raiz

Investigação de Acidente de Trabalho: Como Descobrir a Causa Raiz

Com certeza, a investigação de acidente de trabalho constitui uma ferramenta indispensável para a preservação da integridade física nas empresas. Afinal, esse processo permite que a organização e os colaboradores aprendam com as falhas operacionais. Assim como a aviação utiliza o CENIPA para prevenir novos desastres aéreos, o setor produtivo precisa mapear os desvios para evitar a repetição de cenários dolorosos no chão de fábrica.

Infelizmente, muitas empresas cometem o erro grave de dar um caráter punitivo a essa investigação. Nesses locais, o trabalhador sofre duas vezes: primeiro com a lesão física e, depois, com retaliações administrativas, como mudanças repentinas de turno ou demissões logo após o fim da estabilidade. Esse clima de medo faz com que a equipe esconda os incidentes e quase acidentes, bloqueando a evolução da segurança. Por outro lado, empresas inteligentes investigam para melhorar o processo, gerando produtividade e lucratividade.

As 6 Etapas Cruciais para uma Investigação Eficiente

Para construir um relatório técnico robusto e livre de subjetividades, a liderança deve seguir seis etapas fundamentais na rotina de campo:

1. Prestar Socorro Imediato à Vítima

Em primeiro lugar, a saúde do trabalhador comanda as atenções do SESMT. Mesmo em lesões aparentes, o gestor deve tratar a ocorrência como um evento de alto potencial de gravidade. Portanto, encaminhe o acidentado imediatamente ao ambulatório interno ou ao hospital mais próximo. Em casos urgentes, ligue sem demora para o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

2. Colher Depoimentos das Testemunhas

Logo após o atendimento médico, retorne ao cenário da ocorrência, isole a área e preserve todas as evidências físicas. Na sequência, separe as testemunhas para evitar a combinação de versões fictícias. Entreviste cada profissional individualmente, mantendo um tom humano e acolhedor, pois o trabalhador pode estar abalado ao ver um colega ferido. Por fim, peça para que cada testemunha redija e assine o depoimento em uma folha A4.

3. Entrevistar o Trabalhador Acidentado

Assim que o serviço médico liberar a vítima, realize a entrevista com o próprio acidentado. Busque entender o contexto fazendo perguntas estratégicas: Como ele se sentia no dia? Dormiu bem na noite anterior? Lembra-se do tema abordado no DDS daquela manhã? A colheita desses detalhes revela os fatores subjacentes e também deve ser registrada por escrito e assinada em folha A4.

4. Avaliar Incongruências nos Relatos

Com todas as anotações em mãos, analise se as histórias se cruzam ou se existem contradições nos fatos. Muitas vezes, os colaboradores distorcem dados por receio de demissão ou para proteger amigos. Nesse momento, o investigador nunca deve iniciar confrontos diretos, agindo sempre com neutralidade e foco técnico.

5. Identificar as Causas Básicas e a Causa Raiz

Para encerrar o relatório, aplique ferramentas consagradas de análise, como o Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) ou a técnica dos 5 Porquês. Enquanto as causas básicas representam os gatilhos que poderiam evitar o evento se fossem bloqueados a tempo, a causa raiz representa a doença real que gerou o colapso. Tratar a causa raiz significa resolver a origem do problema de forma definitiva.

6. Tratar a Origem do Problema

Se a causa raiz estiver ligada a uma falha em um processo de engenharia ou maquinário, adote as correções físicas imediatamente. Caso a origem resida no comportamento humano — como o descumprimento de regras conhecidas —, promova ações de conscientização e treinamentos focados. Em resumo, o acidente de trabalho impõe um momento triste, mas obriga a empresa a evoluir na prevenção.

“A cada R$ 1,00 investido em segurança e saúde do trabalhador, economizam-se R$ 4,00 com acidentes e doenças do trabalho.” — José Pastore

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