
O Futuro da Segurança do Trabalho: Menos Bolha, Mais União e Cultura Real
O Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo (SINTESP-SP) possui registro oficial desde outubro de 1988. Contudo, diante de tantas transformações recentes na área de SST, muitos profissionais sentem a falta de debates abertos sobre os rumos da nossa profissão. Inquestionavelmente, a fragilidade da representatividade da categoria não decorre apenas de mudanças nas leis de contribuição sindical, mas sim de uma profunda desunião da própria classe.
Por exemplo, basta acompanhar os grupos da área no Facebook ou em outras redes sociais. Infelizmente, quando um colega iniciante manifesta uma dúvida honesta, alguns profissionais preferem criticar ou ridicularizar a pessoa em vez de ajudar. Dessa forma, esse comportamento destrutivo poda o conhecimento e afasta quem mais precisa de apoio no começo da carreira.
A Falta de Referências e o Isolamento da Categoria
De fato, o mercado de segurança do trabalho no Brasil ainda enfrenta barreiras para amadurecer. Isso porque ainda sentimos falta de grandes revistas especializadas e de pensadores que enxerguem a nossa profissão a longo prazo. Do mesmo modo, faltam lideranças públicas de peso que divulguem o nosso mercado para fora da nossa bolha técnica.
Portanto, enquanto o técnico de segurança falar apenas com outro técnico, continuaremos isolados. Com efeito, precisamos sair da defensiva e discutir abertamente as reais dificuldades da profissão. Afinal, se a sociedade não conhecer as mazelas e os desafios da rotina de um TST, como poderemos receber a devida valorização?
Do Regulamento à Cultura: O Verdadeiro Papel de SST
Acima de tudo, precisamos entender que quem faz a segurança do trabalho são todas as pessoas da empresa, independentemente do cargo ocupado. Por essa razão, a prevenção não pode ficar restrita ao cumprimento mecânico de regulamentos e normas. Na verdade, a segurança precisa se transformar em uma cultura viva dentro das organizações.
Nesse sentido, o colaborador deve compreender o risco por convicção, e não por medo de punição. Por exemplo, ele deve usar o cinto de segurança em altura porque valoriza a própria vida, e não apenas porque a lei exige. Afinal, a conscientização real continua sendo a nossa ferramenta mais poderosa para salvar vidas.
O Protagonismo que Depende de Nós
No final de cada jornada, o que realmente importa é que todos voltem para casa intactos. Quem já acompanhou um trabalhador acidentado em uma perícia do INSS sabe o quão constrangedor e humilhante esse processo pode ser. Lembrando que o trabalhador paga caro por esse serviço previdenciário através de seus impostos.
Por fim, a minha conclusão é direta: os técnicos de segurança precisam se unir urgentemente. Devemos exercer mais paciência e empatia com os profissionais que buscam a primeira oportunidade no mercado. Independentemente da força do sindicato, cabe a cada um de nós assumir o protagonismo e construir uma área de SST mais unida, humana e respeitada.
“A cada R$ 1,00 investido em segurança e saúde do trabalhador, economizam-se R$ 4,00 com acidentes e doenças do trabalho.” — José Pastore
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